Manoel Carlos revive atos de seu pai (Pipiu) na História de Diorama

16/02/2010

Neste link "cidades da região/Diorama) há o relato histórico daquela localidade. Manoel Carlos da Silva Filho, que já foi prefeito de Montes Claros por duas vezes e que é filho de Manoel Carlos da Silva, o Pipiu, que também foi prefeito de Diorama, não concorda exatamente com o que está escrito e conta sua versão para os fatos, principalmente no que diz respeito a seu pai...

 


                                                                               Iporá, 25 de janeiro de 2010

  Prezado Jornalista Valdeci,


 Quero inicialmente cumprimentá-lo pelo trabalho que vem desempenhando a frente de uma importante empresa de comunicação da nossa região.

 Outro dia passeando pelo site do “Oeste Goiâno” me deparei com a “ História de Diorama”, cidade que temos apreço muito grande.
 
Na história alí relatada consta uma passagem  do Sr. Manoel Carlos da Silva, o “Pipiu”, como era mais conhecido, primeiro prefeito eleito de Diorama. E relata também o episódio, em rápidas palavras, sobre a emancipação de Montes Claros de Goiás, antiga “Salobinha”.

 Na oportunidade, gostaria de fazer algumas considerações sobre aquele episódio, como testemunha ocular, embora fosse uma criança de apenas seis anos  de idade em 1963, data da emancipação de Montes Claros, e, como filho do “Pipiu”, que muitas vezes ouviu e viveu as histórias das lutas políticas travadas ao longo desses últimos cinquenta anos.

 Manoel Carlos da Silva, muito conhecido pelo seu apelido de “Pipiu”, nasceu na Bahia na cidade de Guanambi ( antiga Beija-flor ), em fevereiro de 1918. Após uma mudança para São Paulo, a família veio para Goiás em 1929 para a  região de Brazabrantes ( antiga São João ) próxima a cidade de  Inhumas. Ali , numa pequena fazenda da família, plantavam café, arroz e milho.

 “Pipiu” era autodidata. Lia, escrevia e falava muito bem, era muito comunicativo. Homem de bons princípios, ideais socialistas e de muitos amigos.
 No ano de 1960, em férias do Ministério da Agricultura, onde era funcionário deste 1948, visitava parentes e amigos em Iporá, freguentava a região desde 1954, foi convidado por Euclides de Souza, amigo e compadre para uma viagem a Diorama e ao Distrito de Salobinha. O assunto era as eleições municipais daquele ano.

 Os detalhes são muitos, mas o fato é que, lideranças políticas de Diorama e Salobinha decidiram lançar o “Pipiu” candidato a prefeito de Diorama, dendo como vice na chapa o Sr. Avelino Bernardes, genro de Francisco Modesto da Silva ( o  Chico Cavabrava ), influente comerciante e proprietário de terras na região conhecida por Campo Redondo.

 “Pipiu” concorreu com Italino Benuto Dias. Venceu as eleições e tomou posse em 1961 para um mandato de cinco anos 1961/1965.

 Ocorre que, animados com a emancipação de Diorama, que se deu em 1958, a população do Distrito de Salobinha que compunha com  o povoado de Registro do Araguaia, o povoado de Cirilândia ( hoje Lucilândia ) mais os proprietários rurais das margens do Rio dos Bois e Rio das Almas ( na maioria a família Peres e os Leite ), da região do Sertãozinho, liderados por Dona Inês Ribeiro Leite Morbeck e da região do Campo Redondo, liderados por Francisco Modesto da Silva, o Chico Cavabrava, passaram a cogitar da emancipação do Distrito de Salobinha.

 Alegavam que a região de Salobinha, na maior parte de suas terras era muito distante da sede do município, não havia estradas. A população da região do Distrito de Salobinha já era bem maior do que a população da região da sede do município. O grupo político que apoiou o “Pipiu” era mais forte, organizado e desejava a emancipação.

 Um grupo de lideranças acompanhou o prefeito “Pipiu” numa audiência com o governador Mauro Borges, para tratar do assunto. O governador após ouvir as razões das lideranças daquele Distrito de Salobinha, entendeu ser justa a pretensão de emancipação. Coube ao “Pipiu” apenas conduzir o processo com o mínimo de traumas e conflitos possíveis.

 Como era natural e esperado, houve calorosas discussões entre as partes. Em dado momento uma proposta foi colocada: a divisão territorial seria meio a meio. Parece que se formava um consenso por parte das lideranças de Diorama, que começavam a compreender que o município realmente era muito grande, dificultando em todos os aspectos a administração. Partindo desse princípio já se desenhava um acordo.

 A história às vezes,  em seus bastidores, não registra certos detalhes que realmente aconteceram e alguns personagens acabam assumindo responsabilidades, por forças das circunstâncias e por ocuparem posição de mais destaque.  Acontece que lideranças das regiões do Campo Redondo e do Sertãozinho não concordaram com a divisão proposta. Queriam que suas terras ficassem do lado da Salobinha. Como o grupo político do Distrito da Salobinha foi mais forte a divisão territorial foi feita da forma como está até hoje. Coube ao prefeito, após várias tentativas para manter o acordo de divisão meio a meio, assinar os decretos, a Assembléia Legislativa aprovou a Lei e o governador Mauro Borges sancionou a Lei de criação do município de Montes Claros de Goiás em outubro de 1963.

 O “Pipiu” concluiria o mandato em 1965. Naquela época o mandato era de cinco anos. Mas por acordo prévio ele renunciou, deixando o último ano para o seu vice, Avelino Bernardes. Partindo para Montes Claros, ajudou a eleger Jerônimo José Peres, o Bertoldo, a prefeito e foi eleito vereador se tornando o  primeiro presidente da Câmara de  vereadores daquele município em 1965.

 Apenas relatei estes fatos por ter sido testemunha ocular de grande parte da história política do “Pipiu” e por consequência de Montes Claros de Goiás desde a sua emancipação, e um pouco da história de Diorama. Existem, é claro, muitos detalhes que só um relato histórico pode nos mostrar. Mas, o fato é que, naquela época,  pesou a favor de Montes Claros a sua força política, representada por grupos mais organizados e com poder de influência no governo do Estado.

 Para concluir, posso afirmar que meu pai, Manoel Carlos da Silva o “Pipiu” foi um grande idealista e um visionário daquela região. Ele faleceu em dezembro de 1997 aos oitenta anos de idade, bem lúcido e ainda participando da luta política, sendo um dos principais responsáveis pela minha eleição a prefeito de Montes Claros em 1996. Foi através da sua herança política que o povo de Montes Claros me concedeu dois mandatos de prefeito: 1997 / 2000 e 2005 / 2008.

 Agradeço sua atenção. Um abraço do amigo,

Manoel Carlos da Silva Filho - Piuíto
 


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