Alunos da Oaktree English School embarcam para estágio nos Estados Unidos

30/06/2019
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Pessoas que estão neste bem sucedido projeto: Eduardo Carvalho, Micaela, Andrea Carvalho, Mateus e Rowberta

O processo que fez com que dois alunos do curso de Agronomia do IF Goiano (Campus Iporá) fossem escolhidos para um estágio de seis meses nos Estados Unidos, exigiu também domínio da língua inglesa, sem o qual não seriam aprovados.


Tudo começou quando Rowberta e Matheus participaram da 53° Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia, toda proferida em inglês. Naquele momento ambos perceberam a necessidade de aprender aquele idioma, e objetivando realizar seus estágios obrigatórios nos Estados Unidos, iniciaram o curso de inglês na Oaktree English School, situada em Iporá, na Avenida Minas Gerais, 131.


O resultado foi perfeitamente positivo! Após aprovação na entrevista em inglês via skype que durou cerca de 50 minutos, foram também aprovados em um Edital que lhes concedeu um aporte financeiro para pagamento das custas de viagem.


A Oaktree English School habilita pessoas para se tornarem cidadãos do mundo, ensinando o inglês que se usa para a vida real.


Andrea Carvalho, que dirige a escola e que é também pessoa de vivência internacional, tendo morado e estudado na Inglaterra e nos Estados Unidos, onde foi professora no Centro de línguas da Universidade de Purdue, perguntada por nós sobre este trabalho de preparação de estudantes para vivência internacional, disse-nos que "Inglês é a língua da ciência, dos negócios, das viagens, enfim, a língua da comunicação com o mundo, por isso deve ser ensinada de forma dinâmica, sendo assim os alunos sentem desde o primeiro dia de aula a importância de desenvolverem boa prónuncia e consequentemente boa fluência.”


Quanto ao estágio dos dois iporaenses, esse é fato muito conhecido na cidade de Iporá. Eles já sairam de viagem neste sábado, 29 de junho. A revista Impacto, em sua última edição, fez ampla reportagem sobre o assunto. Segue o texto da publicação:


Idades diferentes. Objetivos iguais. Vidas opostas. Paixão compartilhada. Rowberta e Matheus são iporaenses, alunos do 9º período do curso de Agronomia do IF Goiano (Campus Iporá). Suas vidas em família sempre foram ligadas ao campo. Desde cedo, ambos lidaram com os desafios e o duro trabalho da vida na roça. Rowberta é menina da fazenda que casou com homem de fazenda. Matheus cresceu de fazenda em fazenda, acompanhando a família que sempre precisou do trabalho rural para viver.


De família simples, Matheus, 22, é o único que conseguiu concluir o Ensino Médio. Um orgulho para sua maior inspiração. Seu avô Roberto Dias, 63 anos, não sabe ler. É operador de trator. Mas, sabe bem o que seu neto está fazendo. Acompanha, ajuda, incentiva. Aluno de escola pública, sempre gostou de estudar.


Ganhou bolsas para estudar em colégio particular. Preferiu concorrer a uma vaga no IF Goiano (Campus Iporá). Sua professora o levou para a inscrição e lhe deu o material escolar. Fez Técnico em Agropecuária integrado ao ensino médio. Quando criança, seu sonho era ser médico. Até vislumbrar a possibilidade de fazer Agronomia. Passou graças ao seu esforço e à qualidade do ensino médio do IF.


Voou pela primeira vez em 2016, quando participou com outros alunos do curso e o Professor Eduardo Carvalho, 51, de um congresso internacional em Gramado/RS, a Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia. Voltou encantado com o que viu e ouviu. Ouviu pouco, já que muitas palestras foram em inglês. A necessidade de aprender a língua universal foi importante para futuras conquistas.


Há pouco mais de dois anos, Matheus e Rowberta se dedicaram a aprender inglês com apoio do Professor Eduardo e da Escola Oaktree English School. Hoje, Rowberta tem 42 anos. É a mais velha da segunda turma de Agronomia do IF Goiano (Campus Iporá). Na adolescência, tentou fazer Biomedicina. Preferiu casar.


Casou cedo, teve filhos, empresa, tentou Pedagogia, cuidou da família... Voltou a estudar 20 anos depois. Fez cursinhos e a prova do ENEM. Pensando numa perspectiva financeira para cuidar melhor dos filhos e ajudar o marido, optou pela Agronomia. E deu certo. Mas, a agitação é grande. Estudar as vezes em período integral, cuidar dos filhos, ajudar o marido na empresa, estudar inglês, participar dos trabalhos científicos na Fazenda Escola...


Durante quatro meses, um trabalho com gado de leite envolve no rodízio do grupo acordar às 5h30 da manhã para ordenhar e alimentar os animais. O leite é coletado e amostras são enviadas para a Universidade Federal de Goiás. Mas, a motivação familiar não a deixa desistir. Aliás, nunca pensou em parar. E é pelo seu exemplo que seus filhos também gostam de estudar. Um faz o curso Técnico em Agropecuária e outro Tecnólogo em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, ambos no IF Goiano. Um deles, também é aluno do Professor Eduardo.


E foi Eduardo que viu o potencial de Rowberta e Matheus. Em uma viagem aos Estados Unidos, conheceu o projeto da Camphill Village em Nova York. A Camphill Village é uma organização não-governamental que dirige com apoio de voluntários uma fazenda na cidade de Copake, NY. No local, moram diversas pessoas com necessidades especiais. Os voluntários, vindos de várias partes do planeta, cuidam destes moradores e participam das atividades agrícolas, em especial a agricultura biodinâmica*. Matheus e Rowberta participaram de um edital e foram aprovados para um estágio de seis meses na Camphill Village que inicia em julho de 2019.


O processo de aceitação envolveu uma submissão on line e uma entrevista ao vivo via Skype de uma hora em inglês. O professor treinou a entrevista com os alunos por três meses. O IF Goiano levou-os até Barra do Garças/MT para emissão do passaporte e o edital que venceram bancará as despesas da viagem. A fazenda oferecerá hospedagem e alimentação. Durante os seis meses, os iporaenses farão parte da comunidade. Os alunos moram em uma casa com outros voluntários e adultos com diferenças de desenvolvimento, ajudam a gerenciar suas famílias, ajudam uns aos outros em um dos muitos locais de trabalho e ajudam a cuidar das necessidades emocionais, físicas e espirituais de cada um, além do trabalho na fazenda de gado, jardim de plantas medicinais e hortas.


Além deles, outros dois alunos desta turma de Agronomia terão experiências internacionais. Matheus já apresentou e foi aprovado em seu Trabalho de Curso (TC) com o tema: “Estratégias de alimentação e manejo utilizadas para minimizar o consumo seletivo de bovinos de leite e corte”. Rowberta está trabalhando para apresentar o seu: “Desempenho e viabilidade econômica de duas estratégias nutricionais e dois grupos genéticos de bovinos de corte em confinamento.” O estágio de seis meses em terras americanas com certeza provocará uma grande saudade de suas famílias, mas será um importante capítulo da história profissional de ambos. E quando concluírem o curso? Ambos querem fazer mestrado e se tornarem professores.


A inspiração vem de quem desde o início notou algo especial neles. Professor Eduardo é paulista, Engenheiro Agrônomo e há nove anos leciona no IF Goiano (Campus Iporá). Formado pela UFLA (antiga ESAL), é Mestre e Doutor em Ciência Animal. Integra o seleto grupo de professores do Instituto Federal. Viu a dedicação e comprometimento dos futuros mestres em Agronomia. É exigente. Acompanhou seus alunos em todo o processo de formação. Hoje se orgulha de ver dois estudantes levarem o nome de Iporá para terras longínquas.


* A Agricultura Biodinâmica é um modelo agrícola de produção que, assim como a Agricultura Orgânica, não utiliza adubos químicos, venenos, herbicidas, sementes transgênicas, antibióticos ou hormônios. É um ramo da antroposofia. No caso da agricultura, é entender de maneira mais profunda quais são as relações do homem, da terra e da existência. A teoria relaciona signos e meios de cultivo através da utilização de um calendário celestial. De acordo com o biodinamismo, dependendo do signo da época, algumas plantas se desenvolvem melhor que outras. A divisão é feita em quatro elementos: água, terra, fogo e ar. Os signos de água são mais propícios para plantas em que o caule é utilizado. Os de terra, as raízes; os de fogo, as frutas; e os de água, as folhas e as flores.

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