Balanço geral de 7 meses com chuvas acima da média climatológica

13/04/2022
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Conforme os dados fornecidos pelo Laboratório de Climatologia, do curso de Geografia da UEG de Iporá (Coordenado pelos professores Dr. Washington S. Alves e Dr. Valdir Specian), o volume de chuva precipitado na região de Iporá-GO entre setembro de 2021 e março de 2022 foi de 1.529,6 milímetros.


Isso significa que durante o período chuvoso na região (setembro a março) o volume de chuva foi satisfatório, pois ficou acima da última Normal Climatológica (1.450,9 mm) estipulada pelo INMET.


Durante a primavera não foi registrado chuvas no mês de setembro/21, porém em outubro/21 o volume de chuva (116,3 mm) permaneceu dentro da normalidade e em novembro/21 (166,2 mm) abaixo do mínimo previsto estatisticamente como normal para o referido mês. 


Na estação do verão o volume de chuva precipitado em dezembro/21 (243,1 mm) esteve dentro do regime habitual e nos meses de janeiro/22 (479,6 mm) e fevereiro/22 (359,4 mm) os volumes de chuva foram acima do normal, pois ultrapassaram o limite superior estabelecido estatisticamente, tendo como base os totais para os referidos meses entre os anos de 1975 e 2022. (Figura 1).



No mês de março, que marca o início do outono e o final do período chuvoso na região, o volume de chuva (165,0 mm) foi abaixo do limite mínimo previsto. 


Ao analisar a distribuição temporal das chuvas nos últimos dois meses (fevereiro e março) é possível notar que nos últimos cinco anos houve elevação do volume de chuva no mês de fevereiro, que chegou a ultrapassar 500,0 mm no ano de 2019. Esse fato também ocorreu no ano de 1979 onde o mês de fevereiro foi o mais chuvoso da série histórica (1975 – 2022). Figura 2. 



Na Figura 3 é possível analisar rapidamente que, no mês de março, entre 1979 e 1997, houve maior frequência de acumulados de chuva acima do limite superior. Isso indica que os totais de chuva foram acima do normal previsto. A partir de 1997 houve redução dos totais de chuva no mês de março e maior frequência de totais abaixo do limite inferior, que indica chuva abaixo da normalidade para o referido mês. 



A partir de 2015 é possível notar uma redução do volume de chuva no mês de março que permaneceram próximos ou abaixo do limite mínimo previsto. 


Para os meses de abril, maio e junho a previsão aponta para um cenário típico desses meses, ou seja, a tendência é de redução dos volumes de chuva, até porque inicia o período seco em nossa região. No mês de abril há uma previsão de totais de chuva entre 80 e 100 milímetros; para maio entre 40 e 60 milímetros e para junho entre 0 e 20 milímetros, conforme apontou o INMET (2021). 


Esse fato acontece porque nesse período a posição do planeta em relação ao sol favorece a diminuição da intensidade da radiação solar sobre o hemisfério sul e, portanto, contribui para o resfriamento da área continental do nosso país. Isso promove mudanças nos campos de pressão na atmosfera e restringe a atuação dos sistemas produtores de chuva (Massa de ar Equatorial Continental, Massa de ar Tropical Atlântica, Zona de Convergência de Umidade, Alta da Bolívia e os Processos Convectivos) sobre o centro do nosso país.


Nesses próximos meses, mais precisamente até agosto, as mudanças nas condições de tempo, em nossa região, ficam a cargo da atuação das frentes frias, oriundas da atuação da Massa Polar Atlântica sobre o território brasileiro. 


Dependendo da intensidade e das condições de umidade na atmosfera, a atuação das frentes frias em nossa região pode vir acompanhada de chuvas e de reduções bruscas na temperatura do ar. 


No ultimo sábado a chuva precipitada em Iporá e em outras localidades de Goiás foi promovida pela atuação de uma frente fria. 


É importante destacar que por mais que tivemos volumes de chuva satisfatório, durante o período chuvoso de 2021/2022, não significa que não temos que se preocupar com o uso racional da água em nosso município. Até porque o fato de ter “chovido bem” não significa que boa parte dessa água recarregou o lençol freático, pois as condições ambientais de nossas bacias hidrográficas, como a do Córrego Santo Antônio, não são das melhores. Portanto, não se elimina o risco de redução das vazões nos mananciais, principalmente no momento crítico do período seco em nossa região (agosto e setembro). 


 

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