Novo estudo na bacia do córrego que abastece Iporá mostra preocupação em condições severas de secas

19/05/2020
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Imagem de satélite da alta bacia do córrego Santo Antônio

Em mais uma pesquisa desenvolvida sobre a alta bacia do Ribeirão Santo Antônio, o professor Dr. Flávio Alves de Sousa do curso de Geografia da UEG de Iporá avaliou como se dá o armazenamento de água nos solos da bacia e a influência que a chuva tem no escoamento superficial, no abastecimento do lençol freático e na perenidade do ribeirão Santo Antônio. O Trabalho intitulado “Determinação da capacidade de armazenamento de água no solo (CAD) e grau de permeabilidade dos latossolos na alta bacia do ribeirão Santo Antônio” faz parte de projeto de pesquisa junto à UEG e que está sendo encaminhado para publicação em revista especializada.


O estudo abrangeu o período de um ano (maio de 2018 a abril de 2019), pegando portanto o período de estiagem e de chuvas. Vários aspectos foram avaliados na pesquisa, como características físicas dos solos, determinação de capacidade de armazenamento de água dos solos (CAD), balanço hídrico climatológico, coeficiente de escoamento superficial, entre outras metodologias que viabilizassem uma análise mais completa da distribuição da água das chuvas na bacia.


A Figura abaixo mostra a distribuição da umidade dos solos ao longo do período avaliado, sendo que nos meses de maio a setembro os solos apresentam maior déficit hídrico, enquanto nos meses de outubro a março tem-se um excedente hídrico.



Estimou-se em 10 bilhões de litros ou 9,56% a água das chuvas retida nos solos, o que define os solos da bacia como apresentando baixa retenção de água e favorecendo a infiltração direta devido a sua alta permeabilidade, o que ocorre em função da textura franca da maioria dos solos da bacia, o que foi também demonstrado pelo CAD obtido.  O Quadro abaixo mostra a contribuição da água da chuva na vazão direta do manancial e na infiltração. 



Os solos apresentaram boa drenagem, o que é favorável para o abastecimento do lençol freático, todavia há uma baixa retenção de água nos solos durante os períodos mais secos devido à estrutura e textura dos mesmos. Isso implica que em condições severas de secas o manancial pode diminuir muito a sua vazão, como se tem notado nos últimos anos. 


É preciso melhorar as condições de uso e manejo dos solos da bacia e implantar uma política de não ocupação das áreas de preservação permanente bem como a sua recuperação em muitos pontos para manter a água mais tempo nos solos e permitir que os mananciais se mantenham em períodos de estiagem.


A perenidade dos mananciais depende em 42% da água que infiltra até o lençol freático que por sua vez manterá o escoamento nos canais durante o período de estiagem, por isso é necessário um olhar mais preocupado com a bacia, uma vez que a mesma é ocupada na sua maioria por pastagens, que estão muito degradadas em grande parte da bacia, provocando a compactação superficial do solo e impedindo que as taxas de infiltração diminuam.    

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