JANEIRO BRANCO: Dra. Loraine Cruvinel comenta sobre saúde mental

18/01/2021
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SUAVE MENTE: UMA MOBILIZAÇÃO PELA SAÚDE MENTAL


Qual a importância de ampliar o nosso olhar sobre a saúde mental? Quando uma pessoa precisa buscar ajuda profissional para vencer suas dores emocionais? Saúde sempre começa com acesso a medicamentos? Estas são perguntas importantes que nos levam a uma reflexão urgente em nossos dias.


A campanha do Janeiro Branco ganha voz por meio da Mobilização Suave Mente, promovida pela Toca, Ponto de Cultura e espaço criativo de Iporá. E vem em excelente hora. Afinal, nunca se falou tanto em “sofrimento” como nos últimos meses.


A Mobilização Suave Mente acontecerá nas mídias sociais da Toca: @tocaenergiacriativa, bem como nas mídias dos parceiros que, como eu, decidimos juntar esforços para essa ação na cidade. De 18 a 29 de janeiro, várias informações e dicas de Saúde Mental serão compartilhadas, assim como alguns trabalhos artísticos vão somar sentidos à proposta. Uma forma criativa que encontramos de realizar a campanha do Janeiro Branco em Iporá pela primeira vez, uma campanha que acontece no país desde 2014 dedicando o mês de janeiro a pensar, prevenir e incentivar a busca de uma boa Saúde Mental.


Viemos de um ano desafiador que nos fez lidar com uma pandemia inesperada, perdas, instabilidade financeira e medo do que nos esperava num futuro próximo. Nunca se ouviu tanto falar em ansiedade, depressão, compulsão alimentar e alcoolismo. E este contexto infelizmente acabou abrindo brechas para que muitas pessoas propagassem soluções simplistas para situações complexas do adoecimento psíquico.


A consequência disso foi a normalização do abuso de álcool e outras substâncias, alterações no apetite e no peso, piora do sono e super exposição às telas de celular. Reforçou-se o fato de que ao contrário do que muitas pessoas pensam, nem sempre um medicamento é a solução única para uma crise ou uma doença.


Precisamos abrir os olhos para o fato de que nossa mente está 100% ligada ao nosso corpo físico e este é o primeiro passo para não subestimarmos hábitos simples que fazem muita diferença em nosso cérebro e na forma como ele reage a situações extremas.


Medicamentos são sim extremamente importantes quando bem indicados. Porém, oferecem pouca melhora quando agem em um corpo privado de boas noites de sono, mal nutrido, sedentário e exposto a estímulos externos degradantes (violência familiar, trabalhos exploratórios e etc). Daí a relevância do autoconhecimento e da psicoeducação.


É tempo de tratar a saúde mental com a seriedade e a responsabilidade que ela merece. Busque informações confiáveis, ofereça uma escuta atenta a quem te procura para desabafar e encaminhe para um acompanhamento profissional caso perceba que sozinho, já não consegue mais ajudar ou ser ajudado. Uma rede de apoio forte continua sendo nossa maior aliada para oferecermos ao próximo e a nós mesmos um cuidado adequado das nossas emoções. Se um comportamento está prejudicando seu funcionamento social, laboral, familiar ... não hesite em procurar ajuda.


Dra. Loraine Cruvinel - Médica. Membro da Associação Brasileira de Psiquiatria. Coautora do livro "Suicidio: A Vida Não Pode Parar".



 

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