Opinião

Dia de Luta da pessoa com deficiência precisa ser mais lembrado!

Juliana do Nascimento Farias
21/09/2019


Passamos sem muita atenção por uma data que não poderia ficar tão esquecida: o dia 21 de setembro. Este é o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência. Como a data foi escolhida porque representa o início da primavera, e também o dia da árvore, que simboliza a ideia de renovação, de recomeço a todo tempo para as pessoas com deficiência, queremos chamar a atenção para a importância de garantir a efetivação dos direitos dessas pessoas oferecendo a elas acessibilidade arquitetônica, comunicacional, transporte, digital e principalmente a atitudinal que precisam. Como mãe de uma jovem com deficiência múltipla chamo a atenção da população de Iporá e da região para o assunto. Espero que todos os dias 21 de setembro de cada ano além de servirem para lembrar e fortalecer a luta das pessoas com deficiência também alcancem mudanças efetivas na sociedade. E que não somente o dia 21 de setembro, mas que todos os dias sejam de respeito com as pessoas com deficiência. 

 

Felizmente, em Iporá, temos serviços públicos que oferecem atendimentos as necessidades de saúde e de reabilitação para as pessoas com deficiência. Temos o SER (Serviço de Reabilitação), que faz um bom trabalho de fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia. Temos o Centro de Atendimento de Educacional Especializado (CAEE) que oferece profissionais qualificados para escolarização das pessoas com deficiência. O CAEE também disponibiliza o ensino de Língua Brasileira de Sinais e Braille para os estudantes surdos e cegos, respectivamente. Para destacar temos avanços na educação superior de Iporá, a UEG, por exemplo, já formou 3 alunos surdos e atualmente tem uma nova acadêmicas urda agora no curso de Letras.

 

No Campus de Iporá do IF Goiano já concluiu o curso de Tecnologia, Análise e Desenvolvimento de Sistemas (TADS) um aluno cego, que é o Davi. E neste ano está concluindo o mesmo curso um aluno surdo. Atualmente o IF Goiano também conta com um acadêmico com deficiência intelectual, no TADS.  Portanto, essa é uma realidade que apresenta significativas mudanças. Antes, não víamos isso. Esses que são tidos como pessoas com deficiências estão agora, felizmente, ocupando espaços e exercendo sua cidadania.

 

Mas ainda precisamos avançar muito mais em temos de apoio para as pessoas com deficiência. Temos em Iporá o Derocil Rodrigues Vieira Neto, que é deficiente físico e utiliza a cadeira de rodas para locomoção e que luta por esta causa. Ele costuma dizer que leis, de amparo a pessoa com deficiência existem, mas falta ainda, muitas vezes, o cumprimento dessas leis. Principalmente, na questão da mobilidade e acessibilidade dentro da cidade.

 

Ele reclama que, enquanto a lei prevê rampas para acesso a quaisquer lugares, há ambientes que não as têm. Os banheiros que precisam ter condições adequadas para os deficientes, às vezes, não possuem. A pessoa com deficiência fica então impossibilitada de frequentar certos lugares e ter uma vida social.

 

O Derocil e milhões de brasileiros com deficiência esperam mais dos governantes e da sociedade em geral. Tomara que a cada dia 21 de setembro de cada ano, a situação esteja melhor para as pessoas que possuem deficiência. Assim esperamos!

Juliana do Nascimento Farias

Juliana do Nascimento Farias é professora da rede estadual de ensino, especialista em atendimento educacional especializado, mestre em educação pela UFG de Jataí, intérprete de libras e mãe da Maria Eduarda, deficiente múltipla.

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