Opinião

Importância de contenção de água que alimenta o lençol freático

Sevan Naves
12/02/2018

A histeria na crise hídrica não pode continuar com a simples e apressada condenação e ataques aos fazendeiros; irrigantes que legalmente usam água dos rios. Embora haja modernas técnicas de gotejamento, a questão básica não é proibir o uso da água, mesmo com a aspersão tradicional.
Não adianta ter o Rio Araguaia cheio se sua preciosa água doce é toda desperdiçada ao ser lançada diretamente ao mar.

 

Este é o maior malefício, pois a água doce utilizada racionalmente volta ao sistema, por infiltração ao lençol freático ou por evaporação e formando as nuvens das chuvas. Já a água jogada no mar está perdida definitivamente.

 

 A recomendação é de se aplicar uma política pública consistente, contemplando causas e soluções lastreadas em conhecimentos técnicos, sem a postura radical e negativista.

 

 Não é a falta de chuva a maior vilã da crise hídrica e sim a falta da disponibilidade da água no tempo certo, pois as chuvas estão em quantidades históricas e com temporadas regulares em Goiás.

 

 Só que com o solo impermeabilizado e o corte das matas ciliares na roça, as águas escorrem rápida, sem infiltrar e alimentar lençóis freáticos em suficiência.

 

 Agora, a solução é conter e reservar estas águas de chuva, para uso na escassez. É a melhor forma de se prevenir e ter a água disponível é a regularização dos rios com estas volumosas águas de chuva.

 

 De modo bem planejado, pode se implantar sustentável e estrategicamente pequenas barragens sequenciadas, cujos reservatórios são enchidos com água de chuvas.

 

 E o mais importante é o que estas barragens, guardadores de água podem também, como se faz nos países desenvolvidos, servir a piscicultura, ao lazer, ao turismo e a geração de energia, pelas pequenas centrais hidrelétricas, que não consomem água.

 

Assim, com recursos financeiros de empreendedores, o governo, a curto prazo, regulariza os rios, revertendo as enchentes catastróficas provocadoras de imensuráveis prejuízos

 

Assim, será conjugada a preservação de água em território goiano com o aproveitamento adequado e sustentável, para a geração de energia elétrica limpa (evitando a energia suja do diesel e gás).

 

E o melhor, numa cajadada só, serão atacadas três questões angustiantes na sociedade moderna: a disponibilidade de água, a energia limpa e a redução do aquecimento global.

Sevan Naves

Geólogo Sevan Naves é presidente da Triton Energia e da APCH (Associação das Pequenas Centrais Hidrelétricas de Goiás)

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