Opinião

Por que o tomate que eu como em Iporá tem que vir da Ceasa?

Adão Dias da Silva
10/02/2020


É difícil aceitar que em terras férteis como as nossas, com muita água e mão de obra ociosa, não tenhamos uma produção de hortifrutigranjeiros pelo menos para a auto-subsistência. É triste isso. Comemos o tomate que vem de fora. E isso é simples. O cultivo de tomate é coisa simples, como simples é qualquer cultivo em horta ou pomar.

 

É lamentável que o município de Iporá produza muito pouco em se tratando de hortifrutigranjeiros. Mesmo com tantas propriedades, mais de mil dentro do município, a produção de hortifrutigranjeiros é pequena. Além de auto-subsistência, precisávamos ter uma produção para exportação.

 

E por que é assim? São várias razões. A começar pelo êxodo rural, com pouca gente nos ambientes de produção. Mas é preciso ter o material humano para isso. Em sítios, especialmente, os mais próximos da cidade, isso pode ser alavancado. Um processo educacional precisa motivar as pessoas para a produção.

 

E tudo está relacionado com o setor público. É tarefa do poder público dar o incentivo, hoje, inexistente. A Prefeitura de Iporá não tem uma política voltada para isso. Nem se fala nisso. Aliás, nem um secretário de agricultura temos, atualmente. Foca-se em assuntos urbanos e a zona rural fica esquecida em algo que é o mais importante: o setor produtivo.

 

Tratores públicos com arações gratuitas ou subsidiadas, presença de técnicos nas propriedades com assistência gratuita e meios de escoar a produção. As vezes, até estradas rurais ou pontes e bueiros deixam a desejar. Lamentável.

 

Esses técnicos de que estamos falando poderiam orientar o chacareiro sobre o que melhor se adapta para produção em sua terra. Falta muita orientação para o homem do campo. Sabemos que o Campus do IF Goiano está aí com essa meta, inclusive, com cursos, aulas de campo e eventos. Mas a Prefeitura precisa somar a essa luta. E parece ausente nisso.

 

Essa produtividade pode gerar muitos empregos e, além disso, renda. Além dos plantios, também a criação de pequenos animais: peixes, rãs, coelhos, etc... São muitas as possibilidades de produção rural. Essa diversidade precisa ser enfocada e apoiada e sem deixarmos a nossa pecuária de corte e leite e a soja que chegou bem nesta região. Precisar somar produtividade. Temos muita terra ociosa. Temos bom clima e pessoas na cidade com disposição para o trabalho. Resta também que entre o dono da terra e o sem terra que vive na cidade, haja um entendimento em prol de produtividade. Todos ganhariam. Vivemos um problema estrutural. Mas há solução. Que se juntem as cooperativas que temos e às associações, uma ação da Prefeitura, somado ao que IF Goiano já faz. Isso pode mudar. De comprador de tomate, podemos passar a ser exportador: de tomate, abóbora, cenoura, maracujá, beterraba, pimenta do reino, uva, banana, etc...

Adão Dias da Silva

Adão Dias da Silva é repórter no Oeste Goiano.

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