Opinião

Relato de um usuário que buscou pessoalmente os serviços no Vapt Vupt

José Lopes Coelho
10/09/2018

Tenho uma carretinha que comprei em 1987. Por longos anos eu emprestei a mesma primeiro para meu irmão, depois meu cunhado e por último para um sobrinho.

 

Há alguns meses eu a encontrei totalmente sucateada num canto do quintal do meu sobrinho, e ao relembrar dos tempos que a utilizava no trecho Goiânia-Iporá-Goiânia, bateu uma saudade danada e então resolvi recuperá-la totalmente e assim poder, quando em vez, lembrar daqueles bons tempos, que embora de muitas dificuldades foram também de muito boas recordações.

 

Uma vez recuperada, verifiquei que os documentos legais, CRLV e CRV, tinham sido extraviados e era, então, necessário ter uma segunda via dos mesmos para dar total legalidade à minha pequena joia.

 

Muita gente ainda confunde CRLV com CRV. CRLV é o Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo, documento de porte obrigatório que é renovado anualmente. Já o CRV é o certificado de Registro do Veículo, também chamado de DUT – Documento Único de Transferência, que é emitido uma única vez e não é de porte obrigatório. Ao contrário deve ser guardado pois somente será utilizado no caso de transferência do veículo para outra pessoa.

 

Pois bem, no final do mês de julho, como estava em férias, resolvi procurar o Vapt Vupt pessoalmente para tentar obter a segunda via daqueles documentos da carretinha e vou relatar aqui a minha traumática experiência, onde verifiquei que grande parte das pessoas que procuram aquela unidade para regularizar veículos também sofrem os mesmos transtornos que vivenciei.

 

Cabe, antes, abrir um parêntese para elogiar a forma cortês, educada e atenciosa que os servidores daquela unidade dedicam às pessoas que lá buscam solução das mais variadas demandas. Aliás, fiquei feliz em encontrar amigos de longa data, dos tempos da extinta Caixego, todos de cabeça branca como eu e felizes por estarem ajudando as pessoas na solução das demandas.

 

Então, chegando lá fui muito bem recepcionado e logo consegui ser atendido por um dedicado e longevo servidor do Detran meu conhecido de longa data carinhosamente chamado de Barbosinha.

 

Me prestou as primeiras orientações e emitiu o boleto para pagamento da vistoria, que é feita por uma empresa terceirizada denominada SANPERES. Me disse que deveria pagar o referido boleto e depois aguardar em torno de 30 a 40 minutos até que o pagamento caísse no sistema do Detran e depois voltar para agendar a vistoria devendo para tanto pegar nova senha para atendimento.

 

Paguei a vistoriai num posto bancário terceirizado da CEF que fica dentro do Vapt Vupt e não me conformei em ter que esperar os tais 30 a 40 minutos e ainda ter que voltar a pegar nova senha. Ora, para o governo uma autenticação da CEF não tem validade? O Governo não pode transferir para o cidadão a fiscalização do convênio que ele tem com a CEF. O documento autenticado tem que ter validade imediata e se por algum problema, a CEF não repassar ao Detran, cabe ao referido órgão a fiscalização e cobrança da CEF e não ao cidadão que usa o serviço.

 

Vistoria agendada e qual não foi a minha surpresa quando foi identificado pela vistoriadora outro problema: o número do Chassi da carretinha estava com uma divergência entre o cadastro nacional de veículos e o cadastro do Detran. No cadastro do Detran constava o nº DETRANG00R4899, quando no Cadastro nacional constava DETRANGO0R4899. Com essa divergência a vistoria não foi feita e lá fui eu novamente ao Vapt Vupt. Lembrando que a carretinha tem mais de 30 (trinta) anos e isso nunca foi detectado pela fiscalização.

 

De novo uma via crucis, desta vez bem mais complicada pois para corrigir essa divergência somente através de uma unidade do Detran em Goiânia. Foi ai que eu fiquei indignado com a tamanha falta de consideração para com os servidores do Vapt Vupt.

 

Mesmo com o apoio da chefe da unidade que tentou agilizar em Goiânia o atendimento o servidor ficou aguardando atendimento por mais de 03 (três) horas. Isso mesmo, mais de três horas para ser atendido por alguém do Detran de Goiânia. O que é inadmissível e desumano, sem falar que foge completamente ao propósito do Vapt Vupt que é um atendimento rápido.

 

Inconformado com tamanha falta de consideração e descaso, fui informado que o Detran em Goiânia só tem 05 (cinco) linhas telefônicas para atender todas as demandas de todos os municípios do Estado de Goiás e que é rotina terem que esperar por duas, três e até mais horas para serem atendidos.

 

Indaguei à chefe do Vapt Vupt por qual motivo uma alteração tão simples não poderia ser comandada no sistema pelo próprio servidor do Detran que atende no Vapt Vupt, pois ali vi que tinha servidores com mais de 30 (trinta) anos de serviços prestados e que se sentiam incomodados em não poder solucionar com maior rapidez os problemas dos contribuintes. Ela não soube me responder. Disse apenas que a sistemática era essa e que eles deveriam cumprir.

 

A alteração então foi feita pelo servidor do Detran em Goiânia, mas o servidor do Vapt Vupt não visualiza de imediato. Tem que aguardar o dia seguinte para a alteração “ cair no sistema”.

 

Retornei no dia seguinte quando então pude, finalmente, realizar a vistoria. Contudo, mais uma vez fui surpreendido: como a placa da carretinha era de Goiânia, o Vapt Vupt de Iporá não poderia solicitar a segunda via dos documentos e eu teria que ir a Goiânia para fazer o pedido, sendo que o único consolo é que a vistoria tinha validade por 30 (trinta) dias. Para mim mais um problema que não deveria existir.

 

Fui embora frustrado e imaginando como se sentem aqueles senhores de cabelos brancos e com tantos serviços já prestados à população de Iporá ao tempo em que o Detran tinha uma Agência local e dava autonomia aos seus servidores. Com certeza frustrados e decepcionados.

 

No último dia 20, antes de vencer os 30 (trinta) dias da vistoria, fui a Goiânia para tentar solicitar os tais documentos. Cheguei muito cedo no Vapt Vupt da Praça da Bíblia imaginando que solucionaria logo a demanda e poderia de ali mesmo retornar à Brasília.

 

Qual não foi a minha surpresa. Me fizeram preencher um formulário e, pasmem, reconhecer a firma mesmo eu estando presente com toda a documentação necessária. Lá vai eu para o centro da cidade reconhecer a firma no tal documento. Em seguida procurei o Vapt Vupt do Centro Administrativo e nova via crucis: tive que pagar o licenciamento dos últimos 05 (cinco) anos e, de novo, tive esperar os tais 30, 40 minutos até o pagamento cair no sistema do Detran. Nova senha para atendimento, quando o atendente com o auxílio de sua supervisora, não conseguiram realizar o pedido devido a uma intercorrência no sistema. Tentaram ligar no Detran e não conseguiram ser atendidos de imediato, quando o atendente me sugeriu ir pessoalmente ao Detran. Para não esperar por duas ou três horas, lá fui eu para a sede do Detran.

 

Chegando lá, quando peguei a senha e adentrei ao local de atendimento fiquei assustado. Tinha mais ou menos uma 500 (quinhentas) pessoas para serem atendidas, o sistema de senhas estava fora do ar, a maioria dos guichês sem servidores e uma moça com uma prancheta na mão tentando descobrir a sequência das senhas, com uma multidão ao lado, uma loucura.

 

Sai dali no mesmo instante e resolvi então procurar o primeiro despachante que encontrei. Após enfrentar nova fila no cartório para reconhecer a firma na procuração finalmente sai aliviado deixando com aquela senhorinha despachante a responsabilidade por conseguir os documentos da minha carretinha.

 

Hoje, 27 de agosto, liguei para a gentil senhora despachante e ela me disse que ainda aguarda uma solução do Detran para emissão dos documentos. Disse que a liberação dos referidos documentos dependeria de um parecer da área jurídica, provavelmente devido aquela divergência no número do Chassi da carretinha....

 

Não vou desistir.

José Lopes Coelho

José Lopes Coelho é bancário aposentado, ex-superintendente da Caixa Federal, executivo de empresa e produtor rural no município de Iporá

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