Opinião

UEG, esses mestres geniais, atividades extras salas e até publicações

Valdeci Marques
05/04/2021


Acabei de ler CÉU, INFERNO E ALÉM: O PÓS-MORTE NA HISTÓRIA DAS RELIGIÕES. Esse livro me atesta o valor dos pensadores da Universidade Estadual de Goiás (UEG). A UEG sempre teve nossa admiração, mas quando esses professores (alguns mestres e doutores) enveredam em atividades extra salas, por essa reflexão que vai além da vida terrena, aí eu fico realmente empolgado. 

 

Se a vida é tão curta, vale a pena pensar no que vem depois. E a UEG é realmente eclética como universidade que ministra de tudo, onde cabe toda experiência humana e até pensar em céu, inferno e além. São tantos cursos, tantas possibilidades! E dentro do curso de História esses professores geniais. 

 

Gostei do livro porque aborda o que gosto. Sim. Também me ocupo muito dessa reflexão que vai além da percepção de quem está aqui encarnado, de olhos físicos abertos, percebendo o ambiente. Mais do que o contato no físico, percebi a comunidade universitária de antena ligada nesse algo mais que precisava ser muito mais debatido por esta geração. 

 

O livro é uma coletânea de reflexões que foram juntadas por Eduardo Gusmão de Quadros e pelo Deuzair José da Silva, um professor que eu conheci dentro de um templo maçônico, lugar que serve para reflexão. Reconheço o Deuzair como grande professor. E para associar-se ao Eduardo é que este também tem grande valor. 

 

São reflexões publicadas a partir do I Simpósio Nacional de Estudos da Religião da Universidade Estadual de Goiás. E cada professor, dentro do livro, versou sobre o além de acordo com certo credo. Tem um prefácio de Maria Elízia Borges, que afirmou corretamente que a morte e o pós-morte são evitados pelo público em geral, mas que cabe felizmente a filósofos, psicanalistas e historiadores essa tarefa.

 

É bom que se leia. O livro tem várias vertentes para o assunto, com estudos sobre a morte mostrados por Douglas Attila Marcelino. Valmor da Silva discorre sobre pós morte em tradições bíblicas: judaísmo, cristianismo e islamismo. O pós-morte do hinduísmo mostrado por André Luiz Caes. A morte na Roma antiga por Edson Arantes Júnior e Gilson Soares Rosa. Umbanda e espiritismo tem formas de ver a morte e isso é mostrado por Léo Carrer Nogueira e Luiz Signates.

 

Robson Gomes Filho dá um toque regionalista para refletir o assunto, enquanto Eduardo Gusmão registra o “salvamento da menina Luzia (Trindade). A geografia dos cemitérios está na ótica de Deuzair José da Silva e Eduardo Gusmão de Quadros. Todos são ótimos textos. Mas do que eu mais gostei foi de “A morte e o além na nova era’, reflexão do João Paulo de Paula Silveira. Ele foi no ponto, com essa versão mais moderna para a morte, defendida por movimentos novos e que evidenciam o self interior e divino, holismo, sacralização da natureza, evolução espiritual e coletiva. 

 

Está de parabéns a UEG, todos os cursos, os esforços de todos professores. E congratulações especiais para o curso de História, onde tem esses que refletem além da vida. Continuem com essa pegada.

Valdeci Marques

Valdeci Marques é escritor e diretor do jornal Oeste Goiano.

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