Opinião

Velho campo do Umuarama vai a leilão. O que a torcida acha disso?

Valdeci Marques
19/02/2018

Por causa de uma dívida de cerca de 10 mil reais irá a leilão o velho campo do Umuarama Esporte Clube, parte que restou do antigo Estádio Adelar Dias. Esse time que está inativo, mas que tem patrimônio, poderá ficar sem algo que é dos seus pertences, da sua história e da memória da cidade.

 

Em atividades recentes, quando disputou campeonato, a diretoria do Umuarama deixou de pagar uma dívida referente ao aluguel de uma casa onde estavam alojados jogadores que não eram residentes na cidade.

 

Sem receber a dívida, a locadora da casa entrou na Justiça. Como não houve pagamento imediato, a Justiça determinou o leilão do imóvel que é patrimônio do clube. Esse leilão será no próximo dia 28 de fevereiro, às 9 da manhã, no Fórum de Iporá.

 

O imóvel que irá a leilão é um bem avaliado em R$ 990.000,00 (quase um milhão). Por causa de uma dívida de 10 mil reais, é preciso leilão um bem de valor bem superior. Isso é procedimento com base em lei. Está certo.

 

O que se lamenta é que o glorioso Umuarama Esporte Clube, campeão amador do Estado de Goiás, que tanto tem a ver a História de Iporá, o Umuarama dos duelos contra a Associação, a cada tempo que passa, vai sendo diminuído. O Umuarama, que na década de 60 se estabeleceu nas margens da cidade, com grande área adquirida do senhor José Dias, pioneiro de Iporá, agora já tem área menor (mas valiosa!) e poderá ficar por completo sem terreno.

 

Foi na década de 90 que a Prefeitura comprou do Umuarama toda extensão onde hoje é a Câmara, Prefeitura e Fórum. Quem é mais velho lembra que ali era um clube, com brinquedos na área mais baixa e um salão de festas; um pouco acima, uma quadra de esportes. Hoje é algo como uma Praça dos Três Poderes. Isso também é bom. Mas a memória e a história pagam um preço por isso! E quem mais é prejudicado é o time do Umuarama com sua história de glórias!

 

Um torcedor me procurou para relatar esse fato, preocupado com o andamento da história e com o desfecho de mais um capítulo que pode ser triste.

 

Do leilão do dia 28, depois de alguém comprar a área e pagar por ela o valor avaliado e embolsar a credora com o valor que lhe é devido (R$ 10.000,00), vai sobrar ao Umuarama um bom dinheiro, uma pequena fortuna! E será dinheiro que, pelo menos, vai precisar ser bem gerido, já que não se trata de dinheiro que seja de fulano, ciclano ou beltrano. Trata-se de recurso de uma entidade: do Umuarama Esporte Clube, que embora inativo, tem CNPJ, existência jurídica e, mais do que isso, trata-se de algo que tem a ver com o sentimento de muitos.

 

Se com o dinheiro puder ser adquirida outra área, se fizer um bom investimento, menos mal. O que não se pode é desrespeitar mais uma vez o clube. Não dar bom destino ao que sobrar do pagamento da locadora seria outro desrespeito. Mas a torcida e a imprensa vão vigiar, para que isso não aconteça.

 

Mas quem sabe, até o próximo dia 28, apareça um grupo de torcedores e pague essa conta da mulher que locou a casa para os jogadores. Se isso for feito, evita-se a venda por leilão do valioso imóvel. Vamos acompanhar o fato. Há quem acredite que o Umuarama ainda pode ser atuante no futebol goiano. Aqui, no rodapé desse artigo, deixo o endereço para que todos possam acessar o edital do leilão.

EDITAL DO LEILÃO

Valdeci Marques

Valdeci Marques é escritor e diretor do jornal Oeste Goiano.

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5 comentários

  • RAFAEL JOSÉ SILVA BARBOSA 25/02/2018

    É questão de capitalismo, o respeito já foi embora no caso... porém o proprietário da residência não perde sua razão, afinal, ele não tem culpa da má administração que o UMUARAMA teve, aí é que está a questão de tudo, muitos times de futebol no Brasil já passou, passa ou passará por isso. E quem perde em história, torcida e patrimônio são seus torcedores, e olha que quando criança ao entrar naquele campo cujo já treinei com o professor Afonso, ao ver os portões (que para mim por ser pequeno pareciam enormes) o escudo do Umuarama me enchia de expectativas e de fé de que aquele time seria campeão brasileiro um dia, rsrsrsrs. Creio que obedecer a lei é necessário e cabível, e não será um campo que nos fará esquecer o grande Umuarama, serão as saudades daquele time tão saudoso que nos encherá da mesma fé de uma criança e acreditar que um dia esse time do vermelho mais diferente que já vi volt
  • Elias Rocha 19/02/2018

    Trata-se do antigo Estádio ADELAR DIAS, grande pioneiro do esporte iporaense, de saudosa memória. Como aqui em Iporá não se gosta de preserva a memória histórica, principalmente dos pioneiros, é até possível que a área já pertença a uma dessas empresas de loteamento... Falando em loteamentos, já repararam que aqui em Iporá não tem sido aprovados projetos tipo Minha Casa, Minha Vida, casas baratas com juros subsidiados? Preferem aprovar e vender ao povo milhares de lotes a juros caros, de particulares, cujo preço final é quase igual ao custo de uma casa do MCMV. Estes lotes, na maioria, estão destinados a ser futuras favelas urbanas... Problema de Preservação da História da Cidade, Problema Social Não Resolvido e Problema Ecológico, como bem disse o Valfrido Morbeck... Tudo reunido aqui neste artigo do amigo Valdeci Marques.
  • Valto Alves 19/02/2018

    A sujeira não é so na politica Nas entidades também e no futebol é comum as sujeiras. Vamos torcer para não acontecer o pior. Times não pagam contas e depois vem isso a acontecer. com o dinheiro, que sobrar tomara que o Umuarama ainda exista com algum terreno, uma nova historia... quem sabe... valeu o jornal tocar nesse assunto delicado
  • Manuel Ventura 19/02/2018

    Bom comentário.... Aí é um pedaço da história de Iporá.... Quero acompanhar e saber se isso vai virar água.... Tomara que tenham juizo com o dinheiro.... o jornal precisa ficar de olho, todos de olho
  • Valfrido Adriano Morbeck Barros de Souza 19/02/2018

    Esse local deveria, sim, ser tombado como patrimônio histórico. Mas Iporá não cuida disso. É lastimável! Qual será o próximo? Igrejas, casas já foram. Enquanto isso, a especulação e a ganância imobiliária tomam ocupam espaços do que poderíamos deixar pra nossas gerações futuras.

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