Opinião

Voltando da FLIP refletindo sobre a importância do professor leitor

Valdeci Marques
07/08/2017

Acabo de chegar da Festa Literária Internacional de Paraty, ocorrida entre 26 e 30 de julho. A ocasião foi de amplo debate sobre tudo que diz respeito a literatura. Em debates e palestras enfocou-se desde processos criativos até o uso do livro como meio de entretenimento e de aprendizado.

 

Foi esse ponto final na trajetória de autor até leitor que mais me chamou a atenção. Educadores e especialistas no ramo fazem a mesma constatação de que no Brasil, de fato, pouco se lê. Os dados do nosso país, comparados a outros, nos deixam em posição ruim.

 

Diante do quadro, com mercado editorial retraído, grandes livrarias fechando portas, o que fazer? Na opinião dos que se aprofundaram no assunto a solução disso mais uma vez tem a ver com a educação, especialmente, com aquela fundamental, em fase quando se forma bons hábitos nos estudantes.

 

A leitura, até mesmo dentro das escolas brasileiras, deixa a desejar. Alguém até fez uma piada que biblioteca é lugar de deixar o aluno de castigo, ou seja, um lugar pouco agradável.

 

É uma pena que o país viva isso e que até mesmo na educação a leitura não seja tão presente dentro das atividades obrigatórias entre alunos.

 

Muito se falou sobre o exemplo do professor como leitor. Ele, o mestre, aquele que dá exemplo, precisa ser amante da leitura. Tudo começa por aí e, a partir de então, isso pode irradiar para o alunado.

 

É claro que o professor é um profissional pouco valorizado. Isso precisa mudar, a fim de que possa ser melhor qualificado, inclusive, quanto ao mundo das letras e, inclusive, com condições de aquisição de livros e de prática permanente de leitura. E dos professores de língua portuguesa muito mais é exigido.

 

O país tem algo que se chama Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL). É uma linha de ação do Governo Federal que, em tese, percebe-se muito boa. Mas tal como em outros segmentos, falta implementação, o que depende de orçamento.

 

Que em Iporá, em Goiás e no Brasil tenhamos ações em prol da leitura. Volto de Paraty refletindo sobre isso e acreditando que, além de governos em todas as esferas, o papel do professor/leitor é muito importante nisso tudo.  Ele, dentro de sala, pode dar um testemunho a respeito do quanto a leitura pode transformar as pessoas.

Valdeci Marques

Valdeci Marques é escritor e diretor do jornal Oeste Goiano.

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2 comentários

  • Ademi Alves Santana 09/08/2017

    Complementando o comentário abaixo onde eu me referi a uma ganhadora de um concurso de redação nesta cidade de Iporá, onde a mesma relatou que na Espanha onde ela morou, na escola onde estudava era obrigatória ler pelo menos um livro por mês, fez assim a diferença na criação das idéias.
  • Ademi Alves Santana 09/08/2017

    Aonde eu escrevi acima: "onde ele tinha morado, diga-se, onde "ela" tinha morado". Aproveitando que faço esta correção, acrescento: com as dissertações do Enem, quem sabe os estudantes possam de agora em diante ter o hábito forçado para a leitura. Grandes escritores consagrados do passado como Guimarães Rosa, Machado de Assis, Graciliano Ramos e uma dezena deles e delas, está ficando somente na lembrança. Falta incentivo, e consciência por parte até do poder público de tentar mudar este quadro. Eu costumo brincar com algum colega e amigo: como sempre gostei da literatura e de leituras diversas, se você me der duas palavras eu faço um dissertação da mesma. Como sempre a leitura facilita a criação das ideias.

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