Ainda sobra água na barragem da Saneago. Até quando?

18/08/2013
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Escassez de água para consumo humano nas cidades é problema que já afetou cidades da região. Iporá ainda não passou por isso. Mas Jussara, São Luís de Montes Belos, Fazenda Nova e Israelândia já passaram por esta situação. Nesta última cidade o córrego que servia a cidade ficou incapacitado de servir toda água necessária. A captação teve que ser transferida para o Rio Claro. 


A reportagem do Oeste Goiano, na última quinta-feira, 15, fez uma visita ao local de captação de água em Iporá. Fomos acompanhados por Lázaro Cunha, gerente da Saneago em Iporá, que embora de licença médica, aceitou ir até o local para dar informações a respeito do assunto. Fomos acompanhados também por Marcos Ferreira Júnior, gerente interino.


Lázaro falou sobre a história recente da captação de água em Iporá. Ele tem 25 anos de Saneago. Ele conta que vê diferença entre o volume de água de hoje e o de outrora. O Córrego Santo Antônio já teve maior vazão. Sobre o abastecimento da cidade a empresa relata que a população de Iporá é cem por cento (100%) atendida com água tratada.


Consta nos dados técnicos da Saneago de Iporá que nos últimos doze meses (julho/2012 - junho/2013) a média diária de captação de água foi de 6.507,96 m³/dia (seis mil, quinhentos e sete, vírgula noventa e seis metros cúbicos por dia) que equivale a 75,324 l/s (setenta e cinco virgula trezentos e vinte e quatro litros por segundo), sendo que a média diária de funcionamento da Estação de Tratamento de Água (ETA) foi de 20,02 horas/dia, no mesmo período.


A capacidade de produção da Estação de Tratamento de Água (ETA) de Iporá é de 15.552 m³/dia ou 180,00 l/s, suficiente para atender uma população de 58.000 habitantes. Nos estudos de concepção da atual captação de água da SANEAGO, foi detectado no Ribeirão Santo Antônio uma vazão mínima de 7 dias com período de retorno de 10 anos de 360 l/s e a vazão média de longo termo 1.770 l/s.


Quanto aos riscos de escassez os dados técnicos da Saneago salientam que a captação de água no Ribeirão Santo Antônio é feita a "fio dágua", ou seja, existe apenas uma pequena barragem para elevação de nível, não formando reservatório de acumulação. Caso seja necessário, no futuro, existe estudos para a implantação de uma barragem, formando um reservatório para acumulação de água para os períodos mais críticos do ano (períodos de estiagem).


Porém, o melhor é pensar em nunca precisar se fazer reservatório de acumulação. Isso afetaria o córrego no trecho pós-barragem. Para evitar isso, é preciso voltar a atenção para o manancial, de forma a dar a ele e sua bacia condições de ter sempre água em condições de abastecer a cidade. Reportagens anteriores do Oeste Goiano já mostraram a preocupante situação do córrego.


A reportagem do Oeste Goiano perguntou para Lázaro Cunha, gerente do Distrito de Iporá, sobre qual é a ação da Saneago nestas questões ambientais e que dizem respeito a preservação dos mananciais de onde capta água. Lázaro contou-nos que a empresa tem um departamento para cuidar desse assunto e que tem atuado no Estado nos casos em que requer atitudes. Ele relembra que a Saneago foi parceira das ações já levadas a efeito em prol da preservação da bacia do Córrego Santo Antônio. No entanto, Lázaro Cunha admite que o departamento dessa área ambiental, ultimamente, não tem comparecido em Iporá para algum tipo de atuação na área ambiental.


O site da Saneago (saneago.com.br) tem um link para assuntos ambientais, onde a empresa diz que é preciso haver preocupação com os mananciais que abastecem a cidade. Diz no site:


“Os mananciais são as fontes de onde a água é retirada para o abastecimento e consumo. Por isso eles são tão importantes e precisam ser preservados. Infelizmente, os mananciais que abastecem a população vêm sendo comprometidos pelo desmatamento, exploração incorreta do solo, subsolo e utilização exagerada de agrotóxicos. Como a água é essencial à vida, esses problemas podem afetar a todos nós. As principais conseqüências são:
- Surgimento de erosões no solo
- Assoreamento
- Desaparecimento dos mananciais
- Poluição das águas
- Comprometimento da saúde humana e animal
- Comprometimento do meio ambiente”


Lázaro Cunha, gerente do Distrito de Iporá, conta que já tentou criar um Comitê Permanente de Defesa do Santo Antônio, mas deparou com muito desinteresse de membros da comunidade. Ele admite que o assunto precisa sempre estar em pauta, pois se hoje há água, amanhã poderá ser diferente. Até porque é visível a olho nu o decréscimo da vazão ao longo dos anos. Ainda sobre esse assunto, ele diz que já percebeu no pior momento de uma estiagem sobrar apenas 20% da água do córrego e a cidade consumir 80%. Ele revela que quando se tem menos água, agora no período da estiagem, é quando mais se consome água. No período da seca o morador acrescenta aos seus hábitos o de regar plantas.


Ainda sobre ações necessárias. Lázaro Cunha, gerente da Saneago em Iporá, diz que é preciso impedir que o córrego fique assoreado. Para isso sugere ações com máquinas, trator e terraciador, levantando terraços e bacias para que essas retenham as águas e evitem as enxurradas e erosões. “Isso precisa ser feito para dar vida para o córrego”, afirma Lázaro.


Esta é a situação da distribuição de água no que diz respeito a Saneago. Se por um lado a empresa investiu em 8 reservatórios dentro do perímetro urbano e fez a água chegar em cem por cento das casas, ainda falta planejar uma prevenção quanto ao futuro. O córrego sofre com devastação de suas margens. Isto é bem ilustrativo no local da captação. Dentro da área da empresa há preservação, logo ao lado, de fora da área da Saneago, nem a cerca combinada dentro do Termo de Ajustamento de Conduta há e o córrego flui entre o pasto, sem nenhuma vegetação ribeirinha.

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Voltaremos com mais reportagens sobre o assunto.


 

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1 comentário

  • Rogério Cruvinel Ribeiro 19/08/2013

    Tempos atrás tinha se um projeto de captação de água no Rio Santa Marta pra abastecer a cidade de Iporá e Amorinópolis, mas infelizmente nunca foi colocado em prática, o Rio Santa Marta também enfrenta problemas em diminuição em seu volume de água, perdas em sua mata ciliar, mas está em melhores condições do que o Ribeirão Santo Antônio.

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